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Formação do jornalista em discussão na UnB outubro 18, 2008

Posted by Viviane Danin in Conteúdo, Ensino e educação.
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Leandro Fortes durante palestra na UnB

Leandro Fortes durante palestra na UnB

Professores e alunos do curso de Jornalismo do Distrito Federal, Goiás e Tocantins estiveram reunidos na Universidade de Brasília para o “II Encontro de Professores de Jornalismo”.

Fui ao evento acompanhando Vicente que foi convidado pela organização a compor a mesa de debates, após palestra inicial do jornalista Leandro Fortes que comento a seguir.

Leandro Fortes é jornalista com larga experiência como repórter de grande mídia e hoje também atua como professor do curso de jornalismo do Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb). Ele falou sobre a formação dos professores de jornalismo e comentou a discussão sobre o fim do diploma de jornalismo.

Segundo Fortes, há ruídos graves na discussão sobre o fim do diploma. “Eu acho que a nossa categoria é a única que renega o próprio diploma. Há inclusive professores fazendo esse discurso em sala de aula. É uma situação grave, eu diria patológica. Na minha opinião, essas pessoas deviam desistir da profissão porque estão reproduzindo o discurso patronal, algo como a Síndrome de Estocolmo, apaixonados pelo discurso do seu algoz.”

Nesse contexto, ele cita o caso dele como exemplo de profissional que vive os dois mundos, sendo profissional do mercado, repórter da revista Carta Capital e ao mesmo tempo professor em faculdade de Jornalismo.

Para ele, é evidente a necessidade de uma formação técnica para ser jornalista. Transformar informação em texto jornalístico não é pra qualquer um. É preciso ter aprendido as técnicas para fazer isso de forma eficiente. “A base do que temos que fazer é ter a capacidade de analisar a informação e transformá-la em texto da melhor forma possível”.

O que o discurso vigente patronal apregoa é acabar com o diploma e formar pessoas nas escolinhas dos grandes jornais, tipo Folha de S.Paulo, Estadão, Abril, Globo. Ele chamou esses locais de “escolinhas de monstrinhos” onde se treina pessoas dentro de padrões quase “bitolantes”, com a utilização dos manuais de redação que são, na verdade, “manuais de doutrinação”.

Dessa forma, são criados jornalistas despreparados, pouco preocupados com o leitor mas com o que o “coleguinha” vai achar. O que Fortes chamou de “jogo da vaidade”. Há uma preocupação latente em dar a notícia mais rápido do que o concorrente em detrimento da boa apuração dos fatos ou simplesmente para vender mais jornais. O resultado é uma cobertura ruim, pouco interessante, pobre.

(Faço aqui uma pausa para dizer que essa semana li um post no blog de um amigo, o Marcelo Pimenta, que de certa forma discutia essa questão.)

Fortes acrescentou ainda que para melhorar a formação de estudantes de jornalismo é preciso que sejam repassados conceitos universais: “temos que formar jornalistas para o mundo e não para os veículos e isso só se consegue com uma boa formação acadêmica”.

Ao mesmo tempo, Fortes cita como importante que haja um equilíbrio nas faculdades de jornalismo quanto a formação dos professores. É preciso que haja além de professores acadêmicos profissionais de mercado.

Fica a discussão.

Jornalistas e professores em debate com a platéia

Jornalistas e professores em debate com a platéia

O debate

Após a palestra de Leandro Fortes, formou-se a mesa. Cito aqui sucintamente as principais frases ditas por cada um dos participantes:

Zélia Leal, jornalista, professora da UnB
Sobre o jornalista multimídia comentou a preocupação com as más condições de trabalho preconizadas por esse jornalista que deve fazer tudo, reportagem, fotografia, podcasts, vídeocast. Há uma natural perda de qualidade. Quem lucra com isso?

Gustavo Krieger, jornalista, blogueiro e repórter especial do Correio Braziliense
O profissional deve se adaptar à nova realidade imposta pela internet. Citou o exemplo do Ricardo Noblat, que criou um blog numa situação de desemprego e hoje se tornou uma das principais fontes de informação na área política do país.

André Deak, jornalista, escrevendo principalmente para mídias digitais
O mais importante é discutir a formação do jornalista do que a de um jornalista multimídia.

Sylvio Costa, criador do site Congresso em Foco
O jornalista deve ter uma base sólida em ciências sociais, literatura e outros, campos que possibilitem compreender minimamente a realidade em que vai atuar. Além disso, devem:

  • Dominar o idioma em que escreve;
  • Produzir informação nova e relevante;
  • Preservar a dimensão ética e social;
  • Fiscalizar os poderes e
  • Dominar as ferramentas de internet para apurar, relacionar-se com diversos públicos, repensar seu papel e oferecer produtos úteis e de qualidade.

Vicente Tardin, jornalista, criador do Webinsider e um dos autores deste blog
Há espaço para reflexão fora das grandes empresas de comunicação e interesse por parte do público. A internet possibilitou isso e é preciso aproveitar essa nova realidade, tornando-a uma oportunidade.

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Comentários»

1. menta90 - outubro 23, 2008

Vivi, acho que este tema é muito bacana.
As escolas de jornalismo não servem de exemplo de formação profissional. Mas não adianta reclamar, as principais condições para o cara se transformar num bom profissional estão sempre aí – talento, suor, estudo, saber errar, saber usar o google para aprender, … E mercado para quem é bom, você sabe, sempre tem vaga!
Ps.: Aproveitando, quem quiser cadastrar seu currículo para trabalhar em projetos de web corporativa, agradecemos – http://www.plenaconsultores.com.br

2. antonio pereira nascimento junio - novembro 23, 2008

quero trabalhar nesta area porque sempre foi meu interesse de se conveniar com ela e o meu sonho de se especializar.


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